quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Introdoção...















Introdução

"A educação inclusiva é uma proposta da aplicação, no campo da educação, de um movimento mundial mais amplo, denominado “Inclusão Social”, que busca a construção de um processo bidirecional no qual as pessoas excluídas e a sociedade buscam, em parceria, efetivar a equiparação de oportunidades para todos. (CAPELLINI; RODRIGUES 2009)

Esta é uma proposta de resistência contra a exclusão social que, historicamente, vem afetando grupos minoritários e que é caracterizada por movimentos sociais que visam à conquista do exercício do direito de acesso a recursos e serviços da sociedade. Neste sentido, entende-se que, numa perspectiva filosófica, a inclusão é um imperativo moral e um princípio de valor inquestionável (MENDES, 2003).

Para melhor entender as necessidades apresentadas pela maior parte dos alunos portadores de necessidades especiais é necessário que o professor entenda sobre estas patologias, para poder melhor atender e identificar o nível e quais as necessidades apresentadas pelo aluno e de que maneira deve ser conduzido o trabalho para integrar o aluno com necessidade especial, tanto ao conteúdo desenvolvido em sala de aula quanto ao que se refere à integração desse portador com os outros alunos da classe.

Conhecendo o Autismo

Segundo Elias; Assumpção (2000) o autismo está classificado na subcategoria dos transtornos invasivos do desenvolvimento e inclui prejuízos na interação social, na comunicação, padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses, atividades e início antes dos 3 anos de idade

Para Tolipan (2000) pode-se encontrar "estados ou formas autistas" associados a outras patologias, tais como a epilepsia, paralisias cerebrais e síndromes genéticas, dentre outras. Isto torna o diagnóstico difícil e é muito freqüente o autismo passar desapercebido e ser confundido com outros quadros patológicos. Como em qualquer patologia, os casos mais graves são mais facilmente identificáveis.

As manifestações clínicas variam amplamente em termos de níveis de gravidade, algumas crianças, conhecidas como “autistas de alto funcionamento”, podem chegar a se desenvolver de maneira parcial e relativamente independente e apresentar nível intelectual dentro da normalidade, o que lhes permitem condições de manifestarem-se em relação às suas percepções de qualidade de vida (ELIAS; ASSUMPÇÃO, 2006)

Algumas não suportam o contato físico, carinhos, abraços, até mesmo por parte de sua mãe, pai ou irmãos. Outras, ao contrário, procuram o contato físico, mas este é indiscriminado e exagerado, podendo se dar inclusive com estranhos na rua. Este sintoma, em geral, é associado à síndrome de Rett, que é uma variação do autismo, pois estes gestos não refletem relação (TOLIPAN 2000)

Segundo Tolipan (2000) o saber médico sempre considerou, por definição, o autismo como uma disfunção de longa duração, no qual seus portadores podem apresentar determinadas melhorias, mas nunca superar o autismo.

A questão da Deficiência Auditiva

A história da educação do surdo é marcada por correntes filosóficas distintas, que devem ser bem compreendidas em seu momento histórico de forma a contribuírem para a construção de uma proposta bilíngüe. A partir dessas contribuições, pode-se chegar a um consenso acerca da importância de uma proposta educacional que permita às crianças surdas a aquisição/aprendizado de duas línguas: a língua brasileira de sinais (LIBRAS) e a língua portuguesa, em suas modalidades oral e escrita (LIMA, 2006).

Várias pesquisas já comprovaram que crianças surdas procuram criar e desenvolver alguma forma de linguagem, mesmo não sendo expostas a nenhuma língua de sinais. Essas crianças desenvolvem espontaneamente um sistema de gesticulação manual que tem semelhança com outros sistemas desenvolvidos por outros surdos que nunca tiveram contato entre si e com as línguas de sinais já conhecidas (LIMA, 2006).

A surdez consiste na perda maior ou menor da percepção normal dos sons. Verifica-se a existência de vários tipos de pessoas com surdez, de acordo com os diferentes graus de perda da audição. Sob o aspecto da interferência na aquisição da linguagem e da fala, o déficit auditivo pode ser definido como perda média em decibéis, na zona conversacional (freqüência de 500– 1000 – 2000 hertz) para o melhor ouvido (LIMA, 2006).

A inclusão de uma criança com surdez em uma escola objetiva sua socialização. Objetiva-se que ela seja reconhecida e aceita por todos do ambiente escolar como uma criança do grupo, embora precise de um tipo de relacionamento específico, devido à sua forma de comunicação. Deverá haver possibilidades de adaptações nas atividades que envolvam a audição e a fala, procurando sempre, na medida do possível, que a criança não se sinta diferente das demais, e que os outros não a rotulem como tal.

Sobre a Paralisia cerebral

“A paralisia cerebral é definida como uma desordem do movimento e da postura devido a um defeito ou lesão do cérebro imaturo” (...). A lesão cerebral não é progressiva e provoca debilitação variável na coordenação da ação muscular, com resultante incapacidade da criança em manter posturas e realizar movimentos normais. Esta deficiência motora central está freqüentemente associada a problemas de fala, visão e audição, com vários tipos de distúrbios da percepção, um certo grau de retardo mental e/ou epilepsia”. (BOBATH, 1984, p.1)

Ao contrário do que o termo sugere, “paralisia cerebral” não significa que o cérebro ficou paralisado. O que acontece é que ele não comanda corretamente os movimentos do corpo. Não manda ordens adequadas para os músculos, em conseqüência da lesão sofrida (GODÓI 2006). Na criança com paralisia cerebral deve-se perceber como dificuldades típicas as seguintes características: alterações no desempenho motor ao andar, ao usar as mãos para comer, ao escrever, ao se equilibrar, ao falar, ao olhar ou qualquer outra atividade que exija controle do corpo e coordenação motora adequada, assim como comprometimentos das funções neurovegetativas (sucção, mastigação e deglutição). (GODÓI 2006)

Além das dificuldades motoras, essas crianças podem apresentar deficiências sensoriais e intelectuais, ou seja, dificuldades para ver, ouvir, assim como para perceber as formas e texturas dos objetos com as mãos. Pode ainda estar afetada a noção de distância, direita e esquerda e de espaço (GODÓI 2006). Daí a dificuldade do desenvolvimento da criança já que acredita-se que a criança se desenvolve através do brincar. Por isso a importância segundo Godói 2006 devemos então propiciar os momentos do brincar tornando-o facilitador para essas crianças, interagindo com elas como sendo parte ou extensão do seu próprio corpo. É o fazer com ela e não o fazer por ela.

Sobre a deficiência Visual

As crianças com deficiência visual não são muito diferentes das outras crianças pois possuem como todas as crianças necessidade física, afetiva, intelectual social e cultural. Elas gostam também de brincar, passear, conhecer lugares novos e conviver com outras pessoas. Porem segundo Monte e Santos (2004) em decorrência a da deficiência sensorial apresentam necessidades especificas, caminhos e formas peculiares de aprender e assimilar o real, necessitam de mais tempo para assimilar e organizar suas experiências, aprender e construir conhecimentos.

A criança antes de tomar consciência de si, necessita do outro. É na relação e interação com as pessoas de sua família, com educadores, meninos e meninas na escola e com o mundo que a cerca que ela desenvolve suas possibilidades e se estrutura como pessoa. A Interação social depende de como ela é recebida, acolhida, observada, ouvida e compreendida em suas necessidades. Essa forma de relação influência o desenvolvimento psicoafetivo e determina a maneira como a criança vai interagir com as pessoas, objetos e o meio que vive (MONTE e SANTOS, 2004).

As crianças com deficiência visual necessitam em seus primeiros anos de vida encontrar pessoas desejosas se comunicar e interagir com ela. Os educadores devem estar atentos a manifestações de intenção comunicativa ou pequenos gestos os quais devem interpretar e reagir responsavelmente mediante o toque e a confirmação verbal (BRUNO, 1992).

Capellini; Rodrigues (2009) distinguiram duas dimensões da inclusão: a essencial e a eletiva, sendo que a inclusão essencial é aquela que garante a todos os cidadãos o acesso e a participação, sem discriminação, à educação, à saúde, ao emprego, ao lazer, à cultura etc. O perigo dessa dimensão, é que autoriza a sociedade a atribuir lugares fixos onde determinados grupos de risco teriam acesso aos serviços de que necessitam.

A inclusão, enquanto eletiva, deveria assegurar a qualquer cidadão, o direito de se relacionar e usar os serviços que bem entende em função de seus interesses, no entanto essas duas dimensões da inclusão são complementares: a essencial é base para a eletiva (CAPELLINI; RODRIGUES, 2009).

Uma sociedade acolhedora e responsiva, num sistema inclusivo, deverá proporcionar a curto, médio e longo; prazo, adaptações e implementações necessárias (físicas, materiais, humanas, sociais, legais etc.) junto aos diversos setores da comunidade.

Carvalho (1997) salientou que a inclusão é um “processo” e, como tal, “deve ser paulatinamente conquistada”, trata-se de uma mudança de paradigma numa cultura que não está acostumada a conviver com o seu membro “diferente”.

Em todos os países, a legislação tem sido vista como um meio importante para acabar com a discriminação na sociedade, visando a inserção social, educacional e profissional de todos os cidadãos (GIL; BENGOECHEA, 1991).

No entanto, sabemos que os direitos explicitados nas leis, nem sempre são efetivados. A filosofia da inclusão deixa claro que não devemos realizar uma leitura individual dos problemas e processos, mostrando que o problema não está nos sujeitos e, sim, na maneira como o sujeito e a sua deficiência são concebidos no seu ambiente social (MRECH, 1998).

Segundo Gomes; Barbosa (2006) no Brasil, um passo importante para assegurar o direito à educação sem exclusão para os PNEE se deu com a promulgação da lei n.º 9394/96 – Nova Lei de Diretrizes e Bases Nacional (LDB) (BRASIL, 1996). Em seu Artigo 4.º, a LDB determina que deve haver “atendimento educacional especializado gratuito aos educando com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino”, e, no seu Artigo 58.º, estabelece, também, que educação especial é “a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educando portadores de necessidades especiais”.

Porém, não basta a presença dos PNEEs em escolas regulares, excluídos em salas especiais. As transformações ocorridas no meio educacional e na legislação que rege o sistema educacional brasileiro deixam clara a necessidade de incluir todos os alunos PNEEs nas salas de aula regulares das redes pública e particular de ensino (UNESCO, 1994). Parte-se do princípio fundamental de que todos os alunos devem ser respeitados em suas diferenças e características, sejam elas quais forem.

Todos os alunos devem ser incluídos em arranjos educacionais feitos para a maioria das crianças; sempre que possível, devem aprender juntas, independentemente de dificuldades ou limitações que possam ter, para que desenvolvam tanto conhecimentos acadêmicos quanto estratégias de convivência que amenizem suas limitações frente à sociedade, fortalecendo a amizade, o companheirismo, a colaboração e fundamentalmente a aceitação entre todos (MANTOAN, 1997).

Miles (2000) indica que, em diversas culturas e contextos, as barreiras para a inclusão escolar podem estar relacionadas às pessoas (professores, pais, etc.) direta ou indiretamente envolvidas, à ausência de recursos financeiros e materiais, à falta de conhecimento e informação e às características do próprio contexto (pobreza, etc.)

A inadequação das instalações e dependências de parcela expressiva das escolas, uma vez que não se contemplam espaços e condições para portadores de déficits motores, o despreparo do docente para lidar com PNEEs em geral, a carência de materiais básicos.

Segundo Gomes; Barbosa (2006), a presença de uma prática pedagógica que não contempla a diversidade de necessidades educacionais e a ausência de equipes de apoio representa uma pequena amostra das barreiras a serem superadas na escola pública brasileira para que o processo de inclusão escolar de PPCs e de outros PNEEs se torne uma realidade.

Mantoan (2000) afirma que as barreiras relacionadas às atitudes negativas levam as pessoas a responderem desfavoravelmente à inclusão escolar e aos PNEEs, a partir de certo valor. De acordo com Kuester (2000), um dos fatores mais importantes para o sucesso da inclusão de um estudante PNEE diz respeito à interação deste com o professor.

A Educação Física e o processo de inclusão escolar

Segundo Aguiar e Duarte (2005) no que concerne à área da Educação Física, a Educação Física Adaptada surgiu oficialmente nos cursos de graduação, por meio da Resolução número 03/87, do Conselho Federal de Educação, que prevê a atuação do professor de Educação Física com o portador de deficiência e outras necessidades especiais. A nosso ver, esta é uma das razões pelas quais muitos professores de Educação Física, hoje atuando nas escolas, não receberam em sua formação conteúdos e/ou assuntos pertinentes à Educação Física Adaptada ou à inclusão (AGUIAR; DUARTE, 2005) apud FREITAS (2002).

Duarte (2003), diz que, somente a partir da última década, os cursos de Educação Física colocaram em seus programas curriculares, conteúdos relativos às pessoas com necessidades especiais e que o material didático que trata das formas de trabalho com essa população, escrito em nossa língua, é escasso. Entretanto, não se pode esquecer a questão da qualidade. Para que a proposta inclusiva seja levada adiante com êxito, é preciso a coesão e a disposição de todos os segmentos, inclusive dos próprios alunos. Incluir sim, mas com qualidade. Essa deve ser a premissa maior do processo (GORGATTI; PENTEADO; PINGE; DE ROSE 2004).

A área da educação, e aqui se inclui a educação física, não pode ser tão limitada a ponto de afastar uma criança da convivência de outra por questões irrelevantes. A convivência com pessoas diferentes deveria ser uma grande ferramenta em educação, preparando pessoas mais conscientes para a vida e para suas possibilidades. O ensino especial deve ser uma saída quando o progresso do aluno estiver seriamente comprometido em uma classe regular e não uma questão de conveniência para professores e diretores de escola (GORGATTI; PENTEADO; PINGE; DE ROSE 2004).

Para Gorgatti e Junior (2009) apud Baumel e Castro (2003) a principal idéia da Declaração de Salamanca foi sua “orientação inclusivista”, considerando que as escolas regulares, ao atingirem a educação para todos, devem ser o ponto de partida para a criação de comunidades solidárias e de uma sociedade que seja capaz de incluir. Nesse novo conceito, a escola, ao invés de encarar as diferenças como dificuldades, considera-as como oportunidades para a criação de um ambiente educativo mais rico para todos. Pedrinelli (2002) afirma que os professores que não promovem a inclusão em suas aulas apresentam uma das duas características: ou uma atitude “segregadora”, por entenderem que devido à dificuldade ou à diferença de aprendizagem os alunos com deficiência deveriam estar em contextos segregados; ou à crença de que são desprovidos de conhecimentos para atuar com a diferença, não sabendo como e o que fazer.

Rodrigues (2003) afirma que a educação física tem-se mantido à margem do movimento de inclusão, dominante no discurso nacional desde a década de 90. Embora muitas crianças com deficiência até consigam ter acesso à escola regular, em muitos casos, são dispensadas das aulas de educação física, normalmente pela insegurança por parte do professor. Segundo o autor, a educação física é um direito, não uma opção descartável. Sendo assim, nenhum aluno pode ser dispensado da disciplina, ainda que de seu aspecto teórico (GORGATTI; JUNIOR (2009) apud RODRIGUES 2003).

Segundo dados de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pouco mais de 10% da população brasileira possui alguma deficiência motora, mental, sensorial ou múltipla (5). Com relação à idade, o levantamento mostra que 14% deste total está na faixa do 0 aos 10 anos e que 24% está na faixa dos 11 aos 20 anos. Embora não existam dados oficiais, sabe-se que grande parte dessas crianças e adolescentes nunca teve acesso ou oportunidade de freqüentar uma escola, quer regular, quer especial.

Das crianças que conseguem ter acesso à escola, muitas são dispensadas pelos professores das aulas de educação física, com o falso pretexto de “garantir a sua integridade física”. Das que conseguem participar das aulas de educação física, muitas são relegadas e incumbidas para a realização de atividades paralelas, enquanto todos os alunos participam de alguma atividade diferente (GORGATTI; PENTEADO; PINGE; DE ROSE 2004).

Porém, exceções acontecem. Algumas escolas, até pela exigência legal, têm de fato buscado implementar o programa de educação física integrada em seu currículo. Tais iniciativas ainda são recentes e estão causando muita discussão nos estabelecimentos de ensino.

Alguns estudos demonstram que as aulas com movimentos e de manifestação corporal são primordiais para o processo de inclusão. Por isso da importância de incluir o aluno com necessidades especiais nas aulas de Educação Física.

Considerações finais

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 9394/96, ao reconhecer a Educação Especial como modalidade de ensino que permeia todos os níveis escolares, deixa claro que não há, nos sistemas de ensino, tipos separados de educação. Sendo assim, a Educação Especial não é um subsistema e as unidades escolares devem ter um conjunto de recursos que devem ser organizados e disponibilizados para que todos os alunos possam desenvolver suas competências com respeito e dignidade, entre eles os que necessitam de apoios diferenciados (AGUIAR; DUARTE 2005).

As ações direcionadas para a inclusão do aluno com deficiência no ensino regular, como por exemplo, a oferta de cursos de capacitação, diminuição do número de alunos por sala de aula regular, trabalho em conjunto do professor especializado/professor do ensino regular, entre outras, poderiam contribuir para que, gradativamente, fosse implementada a inclusão.

Como diz Aguiar e Duarte (2005) apud Mazzotta (1993), a implantação da educação inclusiva no ensino regular depende não só da boa vontade da sociedade civil, mas também da política de nossos governantes. E, na esfera política, tem-se visto, por várias vezes, que projetos são interrompidos, sem uma reflexão crítica sobre os mesmos, em decorrência das mudanças no governo.

Uma boa escola pública depende essencialmente de diretores e professores preparados, de um currículo conectado ao cotidiano, de instalações físicas razoáveis (como biblioteca, laboratórios e salas de aula que não estejam superlotadas), da vivência cultural dos estudantes e da participação da comunidade (AGUIAR; DUARTE 2005).

Com base nessas premissas podemos permear uma educação de qualidade, incluindo realmente todas as pessoas que serão atendidas por ela com mais qualidade, responsabilidade e humanização, especialmente no que se refere à Educação Física escolar. È o futuro que almejamos.

REFERÊNCIAS

AGUIAR, João Serapião de; DUARTE, Édison. Educação Inclusiva: Um estudo na área da educação física. Rev. bras. educ. espec. vol.11 nº 2 Marília May/Aug. 2005.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20/12/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996. n. 248.

BRUNO, Marilda Moraes Garcia. O desenvolvimento Integral do deficiente visual. São Paulo: Loyola, 1992.

CAPELLINI, Vera Lúcia Messias Fialho, RODRIGUES, Olga Maria Piazentin Rolim. Concepções de professores acerca dos fatores que dificultam o processo da educação inclusiva. Educação, Porto Alegre, v. 32, n. 3, p. 355-364, set./dez. 2009.

CARVALHO, R. E. A nova LDB e a Educação Especial. Rio de Janeiro: WVA, 1997.

DUARTE, E.; LIMA, S. M. T. Atividade Física para Pessoas com Necessidades Especiais: Experiências e Intervenções Pedagógicas. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S. A., 2003

ELIAS, Alexsandra e ASSUMPÇÃO, Francisco B. Qualidade de vida e autismo. Arq. Neuropsiquiatria. 2006; 64(2-A): 295-299.

GIL, L. E. V.; BENGOECHEA, J. A. S. Derecho al trabajo de las personas com minusvalía. 3. ed. Madrid: Real Patronato de Prevención y atención a Personas com Minusvalía, 1991.

GODÓI, Ana Maria de. Educação infantil: saberes e práticas da inclusão: dificuldades de comunicação e sinalização: deficiência física. 4. ed. Brasília, 2006.

GOMES, Claudia, BARBOSA, Altemir José Gonçalves. Inclusão escolar do portador de paralisia cerebral: atitudes de professores do ensino fundamental. Rev. bras. educ. espec. vol.12 no.1 Marília Jan./Apr. 2006

GORGATTI, Márcia Greguol; JÚNIOR, Dante de Rose. Percepções dos Professores Quanto à Inclusão de Alunos com Deficiência em Aulas de Educação Física. Ver. Movimento; 15(2): 119-140, abr.-jun. 2009.

GORGATTI, Márcia Greguol, PENTEADO, Sandra H.N.W. PINGE, Marcelo D., DE ROSE Jr, Dante. Atitudes dos professores de educação física do ensino regular com relação a alunos portadores de deficiência. Rev. bras. ciênc. mov. 12(2): 63-68, 2004.

KUESTER, V. M. 10 years on: have teacher attitudes toward the inclusion if students with disabilities changed. INTERNATIONAL SPECIAL EDUCATION CONGRESS, 2000, Manchester. Disponível em: http://www.isec2000.org.uk. Acesso em: 15 de abril de 2010.

LIMA, Daisy Maria Collet de Araújo. Educação infantil: saberes e práticas da inclusão: dificuldades de comunicação e sinalização: surdez. 4. ed. Brasília, 2006.

MANTOAN, M. T. E. A integração de pessoas com deficiência. contribuições para uma reflexão sobre o tema. Memnon - edições científicas, p.6-8.

MILES, S. Overcoming resource barriers. In International Special Education Congress, 2000, Manchester. Disponível em: http://www.isec2000.org.uk. Acesso em: 15 de abril de 2010.

MONTE, Francisca Roseneide Furtado Do; SANTOS, Ide Borges Do. Educação infantil: saberes e práticas da inclusão: dificuldades de comunicação e sinalização: deficiência física. 2. ed. Brasília, 2004

MRECH, L. M. O que é educação inclusiva? Revista Integração, Brasília: Ministério de Educação, Secretaria de Educação Especial, C. 8, p. 37-40, 1998.

PEDRINELLI, V.J. Possibilidades na diferença: o processo de “inclusão” de todos nós. Integração, Brasília, v.4, p. 31-34, 2002. Edição Especial.

RODRIGUES, D. A Educação física perante a educação inclusiva: reflexões conceptuais e metodológicas. Revista da Educação Física da UEM, Maringá, v.14, n.1, p.67-73, 2003.

TOLIPAN, Sergio. Autismo: orientação para os pais. Casa do Autista - Brasília: Ministério da Saúde, 2000."

domingo, 10 de outubro de 2010

Associação da Região do Douro para a apoio da Deficintes















Este é o local onde passo a maior parte dos meus dias e sou muito feliz aqui.....





Há 20 anos atrás estava a nascer uma associação da região do Douro para jovens com incapacidades na integração da sociedade devido as limitações que cada um de nos temos.
Tinha eu 5 meses quando esta janela se abriu passado 18 anos abriu-se uma porta para eu entrar






a final também sou uma das pessoas com incapacidade de me integrar na nossa sociedade sem a vossa porta ,obrigada ardadd pela vossa ajuda parabéns.
Obrigada 1º a minha monitora depois não tenho palavras para as doutoras (Elisabete)
E para todas as outras pessoas que nela trabalham para nos darem todos os dias o mais feliz













Durante o dia na ARDAD, existem diversas actividades de formação profissional para os seus formandos. A ARDAD, tem muitas áreas:




  • Curso de Costura e Lavores

Na sala da costura e lavores é o local onde se desenvolve vários trabalhos, como bordados, utilizamos as máquinas de costura ou coser á mão. Fazemos diversos trabalhos, aventais, pintamos tabuleiros, garrafas de vinho, para uma quinta nossa associada, fatos de ballet para uma academia também nossa associada e até fazemos as nossas próprias batas, para todos os formandos da ARDAD.



  • Curso de Artesanato

Neste local de formação, os formandos trabalham com o vime, corda, realizam diversos trabalhos de artesanato, como cestos de diversas formas, bancos...

  • Curso de Carpintaria

Na carpintaria os formandos trabalham com a madeira, e criam diversos materiais, como tabuleiros, saleiros, baús, etc, muitos objectos que se podem recriar em madeira.

  • Atendimento ao Público


Neste local de formação, desenvolve-se os procedimentos relativos ao acolhimento e serviços de assistência ao cliente, efectua-se um atendimento personalizado com base num diagnóstico de necessidades.






  • Curso de Produção Vegetal

Nesta area de formação, os fomandos tratam e cuidam da área envolvente do nosso local, cuidam dos jardins, das plantas, das árvores, e plantam diversos vegetais, que depois são servidos e cozinhados na área da cozinha.

  • Curso de Cozinha
Na cozinha os formandos aprendem a diversas receitas e auxiliam as formadorea na confecção das refeições para os formandos.




Eu, frequento a área da costura, é uma área que gosto muito, tenho aprendido muitas técnicas de costura, o que mais gosto é de bordar e faço trabalhos muito bonitos em aventais, e também pinto tabuleiros ou garrafas. Tento ser o mais perfeito possivel.

sábado, 11 de setembro de 2010









































Introdução

"Este artigo descreve o processo de concepção de um balanço para uma criança com paralisia cerebral. Segundo Santos (2004) a incidência é de 1,5 a 2,5 / 1.000 nascidos vivos com Paralisia Cerebral nos países desenvolvidos; mas há relatos de incidência geral, incluindo todas as formas de 7:100. No Brasil não há estudos conclusivos a respeito e a incidência depende do critério diagnóstico de cada estudo, sendo assim, presume-se uma incidência elevada devido aos poucos cuidados com as gestantes. De acordo com Lima e Fonseca (2004), o nascimento pré-termo, uma das causas da PC, está presente em cerca de 30% dos nascidos vivos, principalmente pela evolução do aparato tecnológico e da medicina que permitem condições de sobrevivência desses recém-nascidos.

Através de uma equipe interdisciplinar composta por uma fisioterapeuta e duas designers foi possível realizar um trabalho com bastante qualidade no processo de estudo e desenvolvimento.

Ao brincar, a criança aprende a conhecer o que está a sua volta, incluindo nesse universo seus limites, desafios, e outras crianças. A brincadeira ao ar livre é de grande importância para a criança com mobilidade reduzida, pois além de ser uma forma de lazer, ela também contribui para a sua reabilitação. Divertindo-se, a criança tem oportunidade de crescer muito mais saudável e de se integrar na sociedade.

Atualmente estima-se que 4,39% da população brasileira seja de crianças deficientes, estes dados referem-se a crianças entre 0 a 9 anos. (MÍDIA E DEFICIÊNCIA, 2003).

A capacidade motora é desenvolvida desde cedo por todas as crianças, entretanto, as que possuem deficiência têm mais dificuldade para evoluir neste processo, sendo necessária a estimulação precoce. Na infância se constrói os conhecimentos através da interação com o universo a nossa volta e pelas relações com as pessoas, levando a tomarmos conhecimento de nossa existência, do próximo e do que está ao nosso redor. “Quando uma série de gestos significativos se articulam, arma-se o discurso corporal; por isso, dizemos que o corpo é um corpo discursivo.”(CORIAT, 1996).

O conhecimento é construído através da vivência, com uma profunda interação entre as primeiras experiências, como tocar, ouvir, cheirar, ver e sentir. Por isso, crianças com dificuldades e limitações, devido a lesões durante ou após a gravidez, necessitam de uma estimulação desde cedo para que consigam explorar e vivenciar de forma independente o mundo ao seu redor.

Entre as doenças da deficiência físico-motora, a paralisia cerebral é a que dá maior condição de obedecer às necessidades das crianças em termos de segurança e conforto para as recomendações do projeto dos brinquedos.

Também é a que tem o maior percentual: cerca de 75% entre as que apresentam algum tipo de deficiência físico-motora.

Desta forma, o fisioterapeuta pode dar uma contribuição especial no desenvolvimento de brinquedos adaptados, pois ao avaliar uma criança deve levar em conta o desenvolvimento perceptivo, emocional e social. A avaliação da amplitude de movimento, do tônus muscular, do controle motor, da força, dos reflexos, da percepção, da cognição, e do estado social emocional, é um componente integral da avaliação da criança.

Conforme Leite & Prado (2004) existem categorias de intervenção do fisioterapeuta que são as seguintes:

enfoque biomecânico: aplica os princípios da cinética e da cinemática para os movimentos do corpo humano. Incluem movimento, resistência e as forças necessárias para melhorar as atividades de vida diária;

enfoque neuroevolutivo: inclui uma combinação de técnicas neurofisiológicas e de conhecimento da seqüência do desenvolvimento normal;

enfoque sensorial: as técnicas de tratamento sensorial promovem experiências sensoriais apropriadas e variadas (tátil, proprioceptiva, cinestésica, visual, auditiva, gustativa, etc) para as crianças que apresentam espasticidade, a fim de possibilitar uma aferência motora apropriada. Para melhor compreensão da capacidade motora de crianças portadoras de necessidades especiais, estudou-se o caso de um usuário de cadeira de rodas, que participa de atividades na clínica de fisioterapia do Centro Universitário Feevale, e é integrante do projeto de pesquisa em Design Inclusivo, de Equipamentos, Brinquedos e Vestuário. Este projeto de pesquisa visa à inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais, no ensino regular.

2. Materiais e métodos

A aluna C é do sexo feminino nascida em 2001, possui comprometimento motor nos quatro membros sendo maior nos membros inferiores, mas mesmo com esta limitação utiliza no espaço recreativo de sua escola balanços e outros brinquedos na hora do intervalo em momentos de lazer. Estes brinquedos oferecidos pelas instituições são designados de uso comum, pois tanto crianças portadoras de deficiência, como as que não possuem, brincam nele. Supino2

Nesta postura, C. apresenta padrão extensor de membros inferiores. A cabeça encontra-se na linha média e a aluna consegue virá-la tanto para esquerda, quando para a direita, bem como levantá-la da superfície. Seus braços também estão na linha média, e com eles, ela consegue alcançar objetos a sua frente. As pernas apresentam movimentos independentes, porém, o tônus extensor é visível, e em certos momentos dificulta seus movimentos. A aluna C. consegue realizar trocas de postura, mas ainda não senta sozinha e nem engatinha.

Prono3

O padrão predominante em prono é a hiperextensão4 de membros inferiores. Encontra-se com bom alinhamento corporal e sem assimetrias. Sua cabeça encontra-se na linha média e consegue virá-la para ambos os lados. Nesta postura, C. realiza o suporte em antebraços, porém não consegue manter suporte com os antebraços estendidos. Suas pernas apresentam movimentos independentes, porém, novamente o padrão extensor5 dificulta muito os movimentos voluntários, tornando-os mais difíceis de serem realizados. Nesta postura, a aluna consegue rolar independentemente para a direita e esquerda, porém não consegue engatinhar, e nem entrar na posição de gatas.

Sentada

Para sentar, C ajuda-se agarrando com as mãos. Apresenta controle da cabeça, mas suas pernas permanecem em extensão durante o processo. Para permanecer nesta posição, é necessário um bom suporte de tronco, neste caso, ela libera ambos os braços para realizar atividades de seu interesse. Estando com as pernas estendidas ela não realiza movimentos de membros inferiores, e também não apresenta reações de equilíbrio e proteção (nem para frente, lados ou atrás). Quando está sentada em cadeiras ou bancos, a aluna C. consegue pegar e soltar objetos, porém não apresenta movimentos de pernas, nem mesmo reações de equilíbrio. Sentada em cadeiras com encosto, ela mantém uma boa postura por alguns instantes, porém em certos momentos escorrega para frente.

Em pé

A aluna C não consegue entrar e sair da posição em pé estando sentada no chão ou em cadeira, nem mesmo ajoelhada ou semi-ajoelhada, somente com auxílio. Quando seus pés estão paralelos, apresenta um padrão tesoura, com adução e rotação interna de membros inferiores. Este padrão aumenta na posição de passo, neste momento a menina apresenta um desalinhamento corporal6, maior no hemicorpo esquerdo7. Não apresenta reações de equilíbrio, necessitando sempre de apoio.

3. Inclusão

O balanço foi desenvolvido para uma criança com PC que sentia-se frustrada em não poder participar das atividades de lazer na escola.

A inclusão busca envolver estudantes com deficiências em atividades extracurriculares apropriadas a cada idade, como artes, música, ginástica, passeios, reuniões e exercícios físicos, utilizando todas as dependências das escolas, desde o bar, a biblioteca e o pátio. A meta é interagir todas as crianças, com ou sem lesões, ensinando a compreensão e o reconhecimento das diferenças humanas, promovendo a amizade entre elas e evitando o preconceito.

4. O design a fisioterapia trabalhando no desenvolvimento de um brinquedo inclusivo

Inicialmente faz-se necessário conceituar design. O design é uma atividade especializada de caráter técnico-científico, criativo e artístico, com vistas à concepção e desenvolvimento de projetos de objetos e mensagens visuais que equacionem sistematicamente dados ergonômicos, tecnológicos, econômicos, sociais, culturais e estéticos, que atendam concretamente às necessidades humanas8.

O principal objetivo da ergonomia é estudar o comportamento do corpo humano, suas posturas e movimentos, limites, incapacidades e também deformidades, e através deste estudo adaptar o meio em que vivemos ao corpo humano, proporcionando conforto e bem estar no trabalho e na vida diária, buscando sempre alcançar a melhor integração possível entre o produto e o usuário.

Crianças com necessidades especiais necessitam de equipamentos adequados para conseguir participar das aulas e das demais atividades executadas nas dependências da escola. Casos onde há maior comprometimento motor será necessário o auxílio de terceiros para ajudar a se movimentar e trocar de posição, mas quem ajuda deve sempre incentivar o usuário de cadeira de rodas a fazer as tarefas sozinho. “Pessoas com necessidades especiais devem ser atendidos em igualdade de produtos, serviços, recursos, privilégios, vantagens e acomodações” (TILLEY, 2005).

Segundo Sassaki (1999), o design deve preocupar-se em projetar ambientes adaptados que sejam úteis a qualquer pessoa, não só para pessoas portadoras de deficiência, mas também às obesas, de baixa estatura, idosas e também aquelas que estejam temporariamente com algum membro limitado.

O autor ainda ressalta que o desenho acessível deixa claro em sua imagem que foi feito exclusivamente para pessoas com dificuldades motoras, até que surgiu outras formas de Design, como Desenho Universal ou Desenho para TODOS, ou ainda dentro do conceito de inclusão: (Desenho Inclusivo). “Os produtos e ambientes feitos com desenho universal ou inclusivo, não parecem ser especialmente destinados a pessoas com deficiência. Eles podem ser utilizados por qualquer pessoa, deficiente ou não” (Sassaki, 1999).

Mallin (2004) enfatiza em seu livro alguns critérios que devem ser observados quando trabalhamos com crianças portadoras de necessidades especiais. Estes critérios ajudam a compreender o desenvolvimento motor destes indivíduos, bem como avaliar a sua adaptação aos equipamentos utilizados para seu tipo de lesão.

Avaliar as habilidades e capacidades de cada criança, para compreender seu desenvolvimento muitas vezes anormal, contribuindo assim para sua independência motora e social;

É de extrema importância observar que tipo de lesão que a criança adquiriu, bem como seu desenvolvimento, evitando futuras deformidades, decorrentes de posturas inadequadas;

Um bom equipamento deve permitir regulagem de medidas, adaptando-se a cada indivíduo. O manuseio deve ser fácil, evitando grandes dificuldades;

Além de ter um projeto apropriado, é necessário que o equipamento seja portátil, evitando cantos retos (podem causar ferimentos), permitindo que a criança participe de atividades escolares e na sociedade;

4.1. Brinquedo ergonômico

Para uma criança com necessidades especiais, brincadeiras ao ar livre, sentindo-se segura nos brinquedos, surge como alternativa para se integrar na sociedade, e também de lazer, onde ela aprende a conhecer seus limites, descobrir sensações e emoções, além de fazer novas amizades. Para as crianças, a forma de lazer que as fazem mais felizes são as brincadeiras ao ar livre com outras crianças ou em locais fechados.

Após a visita às escolas de ensino do município para aquisição de informações para embasamento deste trabalho, observou-se que as oportunidades de lazer para crianças com necessidades especiais são bastante escassas, com espaços restritos em locais fechados, como em clínicas de fisioterapia.

4.2. Resultados e discussão

Alguns requisitos ergonômicos foram alcançados no decorrer do dimensionamento do balanço, tornando ele compatível com crianças entre 6 a 11 anos de idade. Este brinquedo não é recomendado para crianças menores que 6 anos, devido às dimensões superiores do encosto e do assento sugeridas para esses usuários, e também é muito pequeno para crianças maiores que 11 anos, pois o assento é muito raso, faltando suporte para a parte inferior das coxas.

A limitação da idade dentro de uma faixa etária será útil para priorizar o conforto e o equilíbrio da criança que brincará sentada no balanço adaptado. De acordo com Panero (2002), as dimensões corporais dos indivíduos variam em grande escala dentro de qualquer grupo populacional, não sendo prático projetar para todo o grupo. “Uma vez que não se projeta para toda a população, é necessário selecionar um segmento da porção central. Portanto, hoje em dia costuma-se esquecer os extremos das 2 pontas e trabalhar com 90% do grupo populacional em questão” (PANERO, 2002).

Nesta etapa da pesquisa pode-se chegar à conclusão que o projeto desenvolvido atendeu aos requisitos e restrições estabelecidos, seguindo os objetivos propostos como ser adaptado, inclusivo e acessível.

O material selecionado para ser aplicado neste projeto é o aço, devido a questões de custos e facilidade de aquisição deste produto, que tornaram possível sua fabricação e também facilitando a reciclagem dos componentes, que separam-se facilmente dos outros metais através de imãs (citado na reciclagem dos metais pg.73).

O brinquedo possui também mecanismos para acomodarem com segurança o usuário, como a trava/freio que impede que ele escorregue ao embalar-se e também um cinto de segurança de 4 pontas para ajuste. Ele terá regulagem de altura nas alças e encaixe abre/fecha, facilitando o ajuste para colocar e tirar a criança do balanço, o nylon utilizado no cinto será revestido com tecido acolchoado em algumas partes para ser mais confortável ao toque.

Há ainda um estofado que segundo Panero (2002), tem como objetivo distribuir a pressão do peso do corpo sobre uma superfície maior, enfatizando que o assento para o usuário ter conforto ao utilizá-lo deve ter um total de 5,1 centímetros de espessura, sendo este valor 3,8 cm de revestimento de espuma média, 1,3 cm de revestimento firme. O autor ainda ressalta a falta de bibliografia existente sobre o conforto de estofados, no caso do balanço será feito um estofado rígido com espuma e um revestimento com tecido impermeável, fácil de limpar.

Neste balanço projetado para ser adaptado, a criança permanecerá em sedestação8, mantendo o equilíbrio e alinhamento postural graças ao dimensionamento dado ao banco. Este foi embasado no estudo antropométrico de usuários de cadeira de rodas e portadores de paralisia cerebral, tendo como referência as normas da ABNT NBR 14350-1/1999 (ABNT, 1999).

A criança que brincar no balanço sentirá segurança para embalar-se, pois terá um encosto alto, duas laterais fechadas até uma altura em que consiga apoiar os cotovelos, um freio que servirá como trava de segurança impedindo que escorregue do assento, e ainda um cinto de segurança. Este indivíduo terá liberdade de mover os membros superiores e os inferiores, arriscando movimentos para embalar-se, interagindo efetivamente com as outras crianças ao seu redor. Estes requisitos alcançados evidenciam que o brinquedo alcançou os objetivos propostos tornando este brinquedo uma referência de que as tecnologias assistivas podem ser aplicadas na vida de muitas crianças que necessitem de equipamentos adaptados, sem esquecer o diferencial do design ergonômico.

Modelo iconográfico ou protótipo funcional



Figura 1 e 2. Modelos do Balanço

5. Considerações finais

O grande potencial cognitivo apresentado pela criança de nosso estudo aliado a sua grande força de vontade em colaborar com a equipe interdisciplinar, possibilitou com grande facilidade o desenvolvimento e adaptação do balanço ergonômico. Desta forma, as barreiras existentes no processo de inclusão escolar de crianças com necessidades especiais em atividades de lazer puderam ser minimizadas, pois estas poderão participar das atividades lúdicas desenvolvidas na escola juntamente com as demais crianças. A busca de soluções para melhorar a acessibilidade e possibilitar a inclusão de crianças com necessidades especiais na escola em atividades de lazer, foi um dos objetivos que este projeto de pesquisa conseguiu atingir. Pois, ser acessível é a condição que cumpre um ambiente, espaço ou objeto para ser utilizado por todas as pessoas. Esta condição é um direito universal, pois a referência a todas as pessoas, no plural, se associa a uma realidade essencial: a diversidade característica dos seres humanos. A inclusão é uma inovação, cujo sentido tem sido muito distorcido e um movimento muito polemizado pelos mais diferentes segmentos educacionais e sociais. Inserir alunos com déficits de toda ordem, permanentes ou temporários, mais graves ou menos severos no ensino regular nada mais é do que garantir o direito de todos à educação. Temos que demonstrar que há viabilidade da inclusão pela transformação geral das escolas, visando a atender aos princípios do novo paradigma educacional.

Notas

Na diparesia espástica, os membros inferiores não conseguem realizar o movimento, porém os superiores sim. Neste quadro de paralisia cerebral o tônus muscular está aumentado (ANDRADE).

Posição em que o paciente está deitado de costas com a barriga para cima.

Posição em que o paciente está deitado com a face para baixo, pode ser chamada também de decúbito ventral.

Quando os membros passam da linha média do corpo.

Este termo é utilizado para dizer que todo o corpo está estendido.

Este padrão refere-se ao paciente que possui assimetria do corpo, ou seja, torto para um dos lados.

Refere-se à metade do corpo à esquerda.

Projeto de Lei nº 1.965, de 1996, que visa regulamentar a profissão no Brasil.

Referências bibliográficas

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Segurança de brinquedos de playground. Parte 1: Requisitos e métodos de ensaio. NBR 14350-1. Rio de Janeiro, julho de 1999.

CORIAT, Lydia centro. Escritos da Criança. Revista do Centro Lydia Coriat. Porto Alegre, nº 4, 1996. 96p.

LEITE, Jaqueline Maria Resende Silveira, PRADO, Gilmar Fernandes do. Paralisia cerebral Aspectos Fisioterapêuticos e Clínicos. Artigo de revisão. Revista Neurociência, Volume 12, nº 1, 2004.

LIMA, A. L. C.; FONSECA, F. L. Paralisia Cerebral. Belo Horizonte: Guanabara Koogan, 2004.

MALLIN, Sandra S. Vieira. Uma Metodologia de Design, aplicada ao desenvolvimento de tecnologia assistiva para portadores de paralisia cerebral./ Curitiba: Editora da UFPR.2004.

MÍDIA E DEFICIÊNCIA/ Veet Vivarta, coordenação.- Brasília: Andi; Fundação Banco do Brasil, 2003. 184 p; il. Color.- (série Diversidade).

PANERO, Julius; ZELNIK, Martin. Dimensionamento humano para espaços interiores: um livro de consulta e referência para projetos. Barcelona: Gustavo Gili, c2002. 320 p.

SANTOS, G. C. Programa de atividades psicomotoras de percepção corporal em crianças com hemiplegia na APAE de uma cidade da Serra Gaúcha. Novo Hamburgo: 2004. Monografia do Curso de Fisioterapia, APAE de Caxias do Sul.

SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 3. ed. Rio de Janeiro: WVA, 1999. 171 p.

TILLEY, Alvin R. Henry Drefuss Associates. As medidas do homem e da mulher - fatores humanos em design. Editora Bookman, 2005."

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Fisioterapia























Paralisia Cerebral
— Siomara
“A Paralisia Cerebral (PC) embora esteja no ítem “Doenças Neurológicas Infantis” não é uma patologia em sí, podendo ser descrita como distúrbio ou dano cerebral não progressivo que ocorre durante desenvolvimento fetal ou da criança, e que pode acarretar desordens do desenvolvimento, do movimento e da postura, causando limitação das atividades.

As desordens motoras da Paralisia Cerebral são freqüentemente acompanhadas por distúrbios de sensibilidade, cognição, comunicação, percepção e/ou comportamento (Rosenbaum et al., 2005).

Classificação
A lesão cerebral atinge de forma difusa o cérebro ainda não amadurecido com intensidade diversa e incalculável. No entanto, o cérebro nesta idade é mais plástico (ver texto sobre plasticidade cerebral), podendo equilibrar de forma parcial, porém falha, funções que também não é possível quantificar resultando daí uma multiplicidade de quadros patológicos com diferentes representações clínicas (Flehmig, 2005).
Os tipos de PC usualmente encontrados são caracterizados por distúrbios motores e posturais, podendo ser classsificados:

Quanto a distribuição dos sintomas e sinais motores:
- Diplegia / Diparesia: caracterizado por comprometimento motor total ou parcial e alteração de *tono predominante nos membros inferiores, sendo os superiores pouco atingidos.

- Hemiplegia / Hemiparesia: caracterizado por acometimento motor total ou parcial e alteração do *tono muscular simétrico ou assimétrico de um hemicorpo.

- Tetraplegia / Tetraparesia: é o tipo mais freqüente e grave de PC, acometendo simétrica ou assimetricamente os quatro membros. As manifestações clínicas são, em geral, observadas desde o nascimento, não seguindo as etapas normais do desenvolvimento neuromotor.

Quanto ao tipo de movimento e da característica do tono muscular:
- Forma Hipotônica: caracteriza-se por uma diminuição do tono muscular.

- Formas Discinéticas: caracterizada por movimentos involuntários, além de tono muscular flutuante particularmente durante as tentativas de movimento.

- Forma Atáxica: formas raras de PC, manifestando-se por **ataxia axial e/ou apendicular com tono muscular flutuante.
- Forma Espástica: caracterizada pelo aumento simétrico ou assimétrico do tono muscular. A maioria apresenta uma incapacidade de ativar e controlar os músculos para produzir um movimento voluntário, pois os músculos que estão super ativos em contração constante diminuem de comprimento, tornando-se cada vez mais encurtados e os músculos opostos mais alongados, diminuindo a sua capacidade de produção de força (Iwabe, 2003).

Distúrbios Associados
A PC é geralmente acompanhada por outros distúrbios da função cerebral. Anomalias oculares, disfunções comportamentais e emocionais, alterações da fala e linguagem, retardo mental e epilepsia.

Diagnóstico precoce e diferencial
O diagnóstico precoce e diferencial é realizado principalmente com base na avaliação clínica associado a achados radiológicos após excluir outras patologias. A análise do histórico pré, peri e pós-natal suspeitos, atraso psicomotor, sinais neurológicos positivos, persistência ou assimetria de reflexos primitivos, reações posturais anormais divergentes podem auxiliar no diagnóstico precoce de PC.
As modalidades de imagens podem ser classificadas em estruturais, baseadas em dados anatômicos (tomografia computadorizada e ressonância magnética) ou funcionais, baseadas em dados fisiológicos ou metabólicos (tomografia computadorizada com emissão de fóton único-SPECT e tomografia de emissão de pósitrons – PET)(Iwabe, 2003).

Prognóstico
O prognóstico está relacionado ao tipo clínico da PC, déficit intelectual, deficiência sensorial e ajuste socioeconômico-emocional. Da mesma forma, índice de ***Apgar igual ou inferior a 3 no 10º minuto está associado a um risco de 50% de PC; entretanto, mesmo nesses lactentes, mais de 40% não a desenvolvem, pois apresenta somente o evento único de índice de Apgar baixo.
Equipe Multidisciplinar

A avaliação e intervenção de uma equipe multidisciplinar com Psicólogo, Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Fonoaudiólogo, Neurologista e Ortopedista, entre outros, deve ocorrer e o mais precoce possível. Terapias complemetares como Hidroterapia e Equoterapia devem ser consideradas.

* Tônus: Estado de tensão ou contração do músculo em repouso.

* * Ataxia: decomposição de movimento, ou incoordenação e imprevisão nos movimentos, provocando deficiência na suavidade dos mesmos.

***O Índice de Apgar consiste na avaliação de 5 sinais objetivos do recém-nascido no primeiro, quinto e décimo minutos após o nascimento, sendo utilizado para avaliar as condições dos recém-nascidos. Os sinais avaliados são: freqüência cardíaca, respiração, tônus muscular, irritabilidade reflexa e cor da pele. O somatório da pontuação (no mínimo zero e no máximo dez) resultará no Índice de Apgar.

Referências bibliográficas

Flehmig I. Texto e atlas do desenvolvimento normal e seus desvios no lactente – diagnóstico e tratamento precoce do nascimento até o 18º mês. São Paulo: Atheneu; 2005. 316p.

Iwabe C. Análise da correlação entre o tono muscular, força muscular e as funções motoras em crianças com paralisia cerebral tetraparética espástica devido lesões hipóxico-isquêmicas [Dissertação]. Campinas (SP): Universidade Estadual de Campinas; 2003.

Rosenbaum P, Dan B, Leviton A, Paneth N, Jacobsson B, Goldstein M, et al. The definition of cerebral palsy. In: Proposed definition and classification of cerebral palsy, April 2005. Developmental Medicine & Child Neurology 2005; 47: 571-76

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

HIDROTERAPIA APLICADA À PARALISIA CEREBRAL ESPÁSTICA...





































1) HIDROTERAPIA APLICADA À PARALISIA CEREBRAL ESPÁSTICA

1.1 INTRODUÇÃO

"A Paralisia Cerebral afeta os movimentos e a postura e é causada por uma lesão cerebral fixa, não progressiva, que ocorre antes, durante, ou depois do nascimento. O dano cerebral numa Paralisia Cerebral não é reversível, produzindo incapacidade física pelo resto da vida.

A Paralisia Cerebral classifica-se como:

* Atáxica (1% dos casos) na qual ocorre hipotonia e incapacidade motora;

* Atetóide (20% dos casos), onde ocorre hipotonia na primeira infância. O sinal diagnóstico precoce é a postura anormal da mão quando a criança tenta atingir um objeto. Há presença de movimentos involuntários anormais;

* Espástica (75% dos casos) e na qual daremos ênfase, ocorre hipertonicidade, hiperreflexia e persistência anormal dos reflexos neonatais, pernas em tesoura, posturas anormais dos membros e contraturas, dificuldade de deglutição e salivação excessiva (Monteggia, 2003).

Apesar do notável avanço médico, a incidência da Paralisia Cerebral não está diminuindo, sendo que 1, em cada 500 crianças, é afetada pela enfermidade.

O tratamento da Paralisia Cerebral varia com a idade do paciente e há muitas opções disponíveis, em certos casos são necessários tratamentos cirúrgicos (na área de ortopedia), uso de medicamentos (relaxantes musculares) e de aparelhos ortopédicos.

Apesar de sua incidência não estar diminuindo, o reconhecimento da paralisia cerebral e a intervenção terapêutica precoce têm mostrado bons resultados na melhora das competências motoras, cognitiva e social, facilitando a adaptação da família à deficiência da criança. Baseados nestes resultados, nos efeitos terapêuticos da água e no fato de que para um determinado grupo de crianças portadoras da doença, a hidroterapia é muito mais benéfica do que tratamentos fisioterápicos realizados dentro de um hospital ou centro de reabilitação, realizamos o presente trabalho afim de elaborar uma sessão hidroterapêutica para a reabilitação motora de pacientes portadores de Paralisia Cerebral Espástica.


2 DESENVOLVIMENTO DO ESTUDO

2.1 CONCEITO

“Paralisia cerebral é uma dificuldade de controle neuromotor (nervo e músculo). É o resultado de um dano ao cérebro que ele amadureça completamente.”

“O termo paralisia cerebral (PC) é usado para definir qualquer desordem caracterizada por alteração do movimento secundária a uma lesão não progressiva do cérebro em desenvolvimento.”

“É o resultado de um dano cerebral , que leva à inabilidade, dificuldade ou o descontrole de músculos e de certos movimentos do corpo. O termo Cerebral quer dizer que a área atingida é o cérebro (sistema Nervoso Central - S.N.C) e a palavra Paralisia refere-se ao resultado do dano ao S.N.C., com conseqüências afetando os músculos e coordenação motora, dos portadores da condição especial de ser e estar no mundo.”

“A Paralisia Cerebral é um distúrbio que afeta a postura e o movimento devido a uma encefalopatia estática (não progressiva), tendo a lesão cerebral ocorrido no período pré-natal, perinatal ou na infância precoce. Sua característica básica é o retardo do desenvolvimento motor, no entanto, a maioria das crianças são adicionalmente deficientes mentais, apresentam crises convulsivas e comprometimento cognitivo, sensorial, visual e auditivo. A dificuldade na fala é freqüente (disartria).”

“É uma deficiência permanente que requer da criança, dos pais, da família e da sociedade muitas adaptações.”


2.2 FISIOPATOLOGIA

O cérebro comanda as funções do corpo. Cada área do cérebro é responsável por uma determinada função, como, os movimentos dos braços e das pernas, a visão, a audição e a inteligência. Uma criança com Paralisia Cerebral pode apresentar alterações que variam desde leve incoordenacão dos movimentos ou uma maneira diferente para andar até inabilidade para segurar um objeto, falar ou deglutir.

O desenvolvimento do cérebro tem início logo após a concepção e continua após o nascimento. Ocorrendo qualquer fator agressivo ao tecido cerebral antes, durante ou após o parto, as áreas mais atingidas terão a função prejudicada e dependendo da importância da agressão, certas alterações serão permanentes caracterizando uma lesão não progressiva.

Dentre os fatores potencialmente determinantes de lesão cerebral irreversível, os mais comumente observados são infecções do sistema nervoso, hipóxia (falta de oxigênio) e traumas de crânio. O desenvolvimento anormal do cérebro pode também estar relacionado com uma desordem genética, e nestas circunstâncias, geralmente, observa-se outras alterações primárias além da cerebral. Em muitas crianças, a lesão ocorre nos primeiros meses de gestação e a causa é desconhecida.

Quando a lesão está localizada na área responsável pelo início dos movimentos voluntários, trato piramidal, o tônus muscular é aumentado, isto é, os músculos são tensos e os reflexos tendinosos são exacerbados. Esta condição é chamada de paralisia cerebral espástica.

A espasticidade se refere a um aumento do tônus ou da tensão de um músculo. Normalmente, os músculos devem ter um tônus suficiente para manter a postura, ou o movimento, contra a força da gravidade, proporcionando, ao mesmo tempo, a flexibilidade e a velocidade de movimento. O comando para esticar o músculo, ou aumentar o seu tônus, vai para a medula espinhal através dos nervos que vêm daquele músculo.

Estes nervos são chamados de “fibras nervosas sensoriais” por informarem a medula o quanto de tônus o músculo tem. O comando para flexionar, ou reduzir o tônus muscular, vai para a medula espinhal através dos nervos no cérebro. Estes dois comandos devem ser bem coordenados na medula, para que o músculo trabalhe bem e facilmente, ao mesmo tempo que mantém a força.

Uma pessoa apresenta a Paralisia Cerebral porque ela sofreu uma lesão no cérebro. Por razões ainda não bem claras, o dano tem a tendência de ocorrer na área do cérebro que controla o tônus e o movimento muscular dos braços e das pernas. O cérebro de um indivíduo com Paralisia Cerebral é, portanto, incapaz de influenciar o quanto de flexibilidade o músculo deve ter. O comando do músculo por si só domina a medula espinhal e, como resultado, o músculo fica muito tenso, ou espástico.

As crianças com envolvimento dos braços, das pernas, tronco e cabeça (envolvimento total) têm tetraplegia espástica e são mais dependentes da ajuda de outras pessoas para a alimentação, higiene e locomoção. A tetraplegia está geralmente relacionada com problemas que determinam sofrimento cerebral difuso grave (infecções, hipóxia e traumas) ou com malformações cerebrais graves.

Quando a lesão atinge principalmente a porção do trato piramidal responsável pelos movimentos das pernas, localizada em uma área mais próxima dos ventrículos (cavidades do cérebro), a forma clínica é a diplegia espástica, na qual o envolvimento dos membros inferiores é maior do que dos membros superiores. A região periventricular é muito vascularizada e os prematuros, por causa da imaturidade cerebral, com muita freqüência apresentam hemorragia nesta área. As alterações tardias provocadas por esta hemorragia podem ser visualizadas com o auxílio da neuroimagem (leucomalácea periventricular). Por este motivo, a diplegia espástica é quase sempre relacionada com prematuridade. Esta forma é menos grave do que a tetraplegia e a grande maioria das crianças adquirem marcha independente antes dos oito anos de idade.

Na hemiplegia espástica, são observadas alterações do movimento em um lado do corpo, como por exemplo, perna e braço esquerdos. As causas mais freqüentes são alguns tipos de malformação cerebral, acidentes vasculares ocorridos ainda na vida intra-uterina e traumatismos cranio-encefálicos. As crianças com este tipo de envolvimento apresentam bom prognóstico motor e adquirem marcha independente. Algumas apresentam um tipo de distúrbio sensorial que impede ou dificulta o reconhecimento de formas e texturas com a mão do lado da hemiplegia. Estas crianças têm muito mais dificuldade para usar a mão.

As crianças com espasticidade tendem a desenvolver deformidades articulares porque o músculo espástico não tem crescimento normal. Flexão e rotação interna dos quadris, flexão dos joelhos e equinismo são as deformidades mais freqüentes nas crianças que adquirem marcha. Além destas, as crianças com tetraplegia espástica podem desenvolver ainda, luxação paralítica dos quadris e escoliose.



2.3 QUADRO CLÍNICO

A Paralisia Cerebral Espástica apresenta os seguintes tipos clínicos:

1) TETRAPLEGIA: mais freqüente muito grave. As manifestações clínicas são observadas desde o nascimento e se agrava conforme a criança vai crescendo. Há uma imprópria distribuição do tônus muscular: hipertonia dos músculos dos membros superiores e inferiores e hipotonia dos músculos eretores da cabeça e do tronco, que não consegue sustentar a cabeça na época normal, por volta dos três meses, e quando manipulados apresentam espasticidade.

Compromete:

- Desenvolvimento psicomotor, ou seja, a manipulação de objetos com membros superiores, não sentam, engatinham ou ficam em pé na época normal;

- Fala;

- Sono;

- Não consegue cerrar a boca, salivação excessiva (sialorréia) e dificuldade para engolir(disfagia);

- Durante o choro a hipertonia se evidência, ocorrendo hiperextensão do tronco e membros;

- Membros inferiores ficam em extensão e adução formando um X, às vezes em posição viciosa: pé eqüino, flexão das pernas sobre as coxas;

- Membros superiores ficam muitos espásticos, com o cotovelo e punho em flexão. Ocorre incapacidade motora, às vezes necessitando de correção cirúrgica. Os casos com espasticidade muito intensa apresentam-se em extensão;

- Os reflexos arcaicos persistem sendo que nos casos mais graves as mãos ficam fechadas e os dedos fortemente fletidos;

- Estão presentes freqüentemente a preensão reflexa dos dedos da mão e do pé, reflexo de Moro, mesmo com um limiar muito baixo, e a marcha reflexa, podendo dar impressão de que a criança está querendo andar. Estes reflexos deveriam ter desaparecidos por volta dos três meses, se fosse normal;

- As convulsões ocorrem em 50% dos casos, acompanhadas por espasmos em flexão e extensão, que podem ocorrer agrupados ou isolados. Quanto mais grave o caso, maior é o número de espasmos e mais freqüentes estes aparecem;

- Há diminuição do perímetro craniano, achatamento da região parietoccipital de um dos lados e diminuição do Q.I. com conseqüente diminuição das funções intelectuais;

- A fala é rudimentar ou ausente, e a percepção da palavra diminui;

- A criança sofre freqüentes infecções nos pulmões e vias aéreas superiores.

2) HEMIPLEGIA: não é notada nos primeiros dias de vida, a criança só é levada à consulta com alguns meses de vida, geralmente quando os pais notam que ela só utiliza os membros de um hemicorpo. Em alguns casos em que a hemiplegia é muito acentuada, logo ao nascer é percebida a patologia. Os pais confundem os filhos com canhotos em hemiplegias direitas, que são mais freqüentes que as esquerdas.

Compromete:

- Desenvolvimento motor, notado após seis meses, quando começa usar os membros inferiores para ficar em pé, engatinhar e andar;

- A hemiplegia é desproporcional, ou seja, mais acentuada nos membros superiores;

- A face é raramente comprometida; - quadro é menos grave que o anterior, há sincinesia ( imitação ), do hemicorpo afetado em relação ao lado são;

- A inteligência é bem menos afetada que na anterior, e não há diferença entre hemiplegia direita e hemiplegia esquerda em relação ao Q.I.;

- A fala também é afetada, às vezes pode ser normal apenas com retardo na aprendizagem;

- A ocorrência de convulsões também é bem menor, sendo mais freqüente nas hemiplegias adquiridas durante a infância;

- Membros Superiores : hipertonia em flexão;

- Membros Inferiores: hipertonia em extensão, pé eqüinovaro: apoio sobre os dedos, com deformação e posição viciosa. Os membros se atrofiam, ficando bem menores que os sãos, dificultando ainda mais a marcha.


3) DIPLEGIA CEREBRAL: (Paraplegia) ocorre em 17.7%. Difícil diagnóstico de início desse tipo de Paralisia Cerebral. Grande predomínio de distúrbios motores e do tônus nos membros inferiores, sendo os membros superiores pouco atingidos. O quadro neurológico é caracterizado por:

- Comprometimento motor dos membros inferiores

No 1º semestre:

· Nota-se atraso no ultrapassar as etapas de controle da cabeça e do tronco
· Retardo para sentar-se ou manter-se sentado

No 2 º semestre:

· Incapacidade motora se torna bem flagrante
· Criança faz bom uso do membro superior, prende objetos com as mãos, manipula, mas não mantêm-se em pé com quase 10 meses como crianças normais
· Coloca-se a criança em pé, ela estende os membros inferiores e aduzem as coxas assumindo a posição em X ou tesoura

No 2º ano:

· O quadro se torna exuberante e a incapacidade de andar é sintoma principal

*** Se a criança não receber atenção adequada, já no 2 ano pode retrair os músculos adutores da coxa, dificultando ainda mais a marcha, os pés assumem a posição eqüinovara o que dificulta ainda mais no andar.


O exame neurológico mostra:


* Sinais de déficit e liberação ;
* Reflexos profundos exaltados, podendo ter clono do pé e trepidação ;
* Cutâneo plantar em extensão (o hálux às vezes pode ficar nessa posição ) ;
* A fala é normal nos 50% dos casos
* Retardo na aprendizagem e a disartria ( + freqüente )
* Convulsões ( bem menos freqüente em 19% dos casos )



2.4 DIAGNÓSTICO

Paralisia cerebral é diagnosticada por uma história cuidadosamente levantada e um exame físico e neurológico completo são realizados. O médico procurará sinais de deficiência neuromuscular (anormalidades de força, movimento, ou coordenação) em uma criança ou jovem. Estes, normalmente aparecem como alterações no tônus muscular.

Dificuldade de sucção, tônus muscular diminuído, alterações da postura e atraso para firmar a cabeça, sorrir e rolar são sinais precoces que chamam a atenção para a necessidade de avaliações mais detalhadas e acompanhamento neurológico.

A história clínica deve ser completa e o exame neurológico deve incluir a pesquisa dos reflexos primitivos (próprios do recém-nascido), porque a persistência de certos reflexos além dos seis meses de idade pode indicar presença de lesão cerebral. Reflexos são movimentos automáticos que o corpo faz em resposta a um estímulo específico. O reflexo primitivo mais conhecido é o reflexo de Moro que pode ser assim descrito: quando a criança é colocada deitada de costas em uma mesa sobre a palma da mão de quem examina, a retirada brusca da mão causa um movimento súbito da região cervical, o qual inicia a resposta que consiste inicialmente de abdução (abertura) e extensão dos braços com as mãos abertas seguida de adução (fechamento) dos braços como em um abraço. Este reflexo é normalmente observado no recém-nascido, mas com a maturação cerebral, respostas automáticas como esta são inibidas. O reflexo de Moro é apenas um dentre os vários comumente pesquisados pelo pediatra ou fisioterapeuta.

Depois de colhida a história clínica e realizado o exame neurológico, o próximo passo é afastar a possibilidade de outras condições clínicas ou doenças que também evoluem com atraso do desenvolvimento neurológico ou alterações do movimento como as descritas anteriormente. Exames de laboratório (sangue e urina) ou neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética) poderão ser indicados de acordo com a história e as alterações encontradas ao exame neurológico. Estes exames, em muitas situações, esclarecem a causa da paralisia cerebral ou podem confirmar o diagnóstico de outras doenças.

Outro indicador de paralisia cerebral espástica é a incapacidade da criança em executar certas tarefas a uma idade apropriada. Pode levar tempo para o diagnóstico ficar claro. Alguns sinais da desordem podem mudar com o passar do tempo. Alguns sinais podem aparecer depois do diagnóstico ser feito. O neurologista pediátrico (especialista em nervos e desordens de cérebro em crianças) pode ajudar a confirmar o diagnóstico.


2.5 TRATAMENTO CLÍNICO

Os pacientes de paralisia cerebral devem ser tratados de forma que seja possível colocá-lo em condições de se integrar na vida comunitária. Deve haver uma equipe constituída de: neuropediatra, ortopedista, fisioterapeuta, psicólogo, terapeuta ocupacional e professores. A individualização do tratamento é uma das regras básicas.

As crianças com paralisia cerebral devem ser encaminhadas precocemente a centros especializados, onde receberão atendimento com ênfase em terapia ocupacional, fisioterapia e apoio psicológico. Os pais devem participar ativamente deste processo. A doença é permanente e a terapia é principalmente sintomática e preventiva.

Atualmente, os tratamentos para a espasticidade da CP e problemas relacionados incluem: medicação oral, injeção de toxina botulínica tipo A, infusão de baclofen, cirurgia ortopédica, SDR, fisioterapia e aparelhos ortopédicos.

Tentam-se, ainda, algumas medicações orais como o valium e baclofen, mas, no consenso geral, elas não reduzem a espasticidade.

Nos últimos anos, as injeções intramusculares de toxina botulínica tipo A têm sido amplamente usadas. A toxina botulínica tipo A enfraquece os músculos por até 3 ou 4 meses depois da injeção, reduzindo a espasticidade num limitado grupo de músculos. O mais importante é que os efeitos são apenas temporários. E os efeitos colaterais parecem ser mínimos.

A infusão de baclofen, usando uma bomba implantada na parede abdominal, é claramente efetiva na redução da espasticidade causada por lesão da medula espinhal e pode também reduzir a espasticidade da Paralisia Cerebral. Entretanto, a infusão de baclofen não é efetiva permanentemente; quando se para a infusão, a espasticidade volta. Além disso, corre-se o risco de uma superdosagem, de adquirir a meningite e de outras complicações que podem exigir internamentos hospitalares repetidos. E mais, as conseqüências a longo prazo ainda não são conhecidas porque esse tratamento de infusão para a Paralisia Cerebral tem sido usado, apenas, por alguns anos.

As operações ortopédicas, incluindo os procedimentos de liberação do músculo e de alongamento do tendão, são também usadas para tratar as deformidades associadas com a Paralisia Cerebral Espástica. A cirurgia ortopédica certamente melhora a amplitude do movimento das articulações, facilitando o movimento das extremidades inferiores na criança. O maior efeito colateral é a debilidade muscular permanente, resultando em postura anormal e deformidades. Além disso, a cirurgia ortopédica não reduz a espasticidade diretamente, tratando somente as suas conseqüências.

O tratamento ortopédico pode seguir:

1- Métodos não cirúrgicos, como o uso de aparelhos ortopédicos que auxiliem a função dos membros superiores para atividades manuais ou que melhorem o apoio dos membros inferiores da criança ao solo (ÓRTESES).

2- Métodos cirúrgicos, pois algumas vezes o tratamento acima descrito é insuficiente para proporcionar um alinhamento adequado e uma função satisfatória para os membros da criança, e há necessidade da cirurgia. O ortopedista é, portanto o cirurgião da equipe.

Os casos irrecuperáveis são reconhecidos pelo neurologista após um curto período de observação, quando não há qualquer progresso motor ou mental, não há crescimento do perímetro craniano e as convulsões freqüentes. Esses casos devem ser encaminhados para instituições especiais.

Tratamentos Importantes:

* Tratamento ortopédico especializado;
* Tratamento odontológico especializado;
* Estimulação precoce e cuidados Neonatológicos;
* Tratamento oftalmológico precoce;
* Intervenção com Educação Física especializada (Natação);
* Hipoterapia (Equoterapia).


2.6 TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO

Como na Paralisia Cerebral nós só poderemos tratar as alterações musculares, que são a conseqüência e não a causa da doença, o objetivo final do tratamento ortopédico é a melhora da função motora da criança para que ela possa desempenhar cada vez melhor suas atividades físicas.

O tratamento fisioterápico tem como objetivos gerais:

* promover experiências normais de desenvolvimento;
* reduzir o reforço ativo de padrões de movimento e posições anormais;
* diminuir deformidades músculo- esqueléticas congênitas e contraturas articulares adquiridas.

O objetivos específicos são:

* normalizar o tônus;
* normalizar os movimentos, restabelecendo e estimulando as reações de endireitamento, reeducando os padrões centralizados dos movimentos (rotações) e reeducando os padrões recíprocos dos movimentos (coordenação e ritmo);
* minimizar contraturas e deformidades;
* melhorar equilíbrio;
* melhorar marcha;
* melhora da capacidade respiratória e aeróbica;
* melhora da circulação periférica;
* melhora da função;
* benefícios psicológicos.

Para que haja a diminuição do tônus, deve-se associar o calor da água (que irá provocar inibição da atividade tônica)com movimentos lentos e rítmicos e rotações e alongamentos suaves.

FORTALECIMENTO – membros comprometidos (neurônio motor superior ou inferior): movimento com auxílio da flutuabilidade sem aumentar o tônus.

RESTABELECER E ESTIMULAR AS REAÇÕES DE ENDIREITAMENTO – TRONCO E CABEÇA – Densidade relativa, turbulência e metacentro. Progressão aos exercícios: instruir o paciente a olhar em várias direções (para cima, para baixo, para os lados), a abaixar um braço e a movê-lo para frente e para trás, a mover ambos os braços na água, a flexionar uma perna.

REEDUCAR OS PADRÕES CENTRALIZADOS – déficit de movimento e controle nas cinturas escapular e pélvica. Rotações.

REEDUCAR OS PADRÕES RECÍPROCOS DE MOVIMENTOS – coordenação e ritmo dos movimentos: base para os padrões funcionais da locomoção.

MELHORA DA FUNÇÃO – equilíbrio e coordenação, redução do medo de cair, maior tempo de reação, melhora da dor, rolamentos, transferências.



2.7 SESSÃO PLANEJADA

As principais preocupações dos fisioterapeutas para conduzir as crianças com paralisia cerebral na água são:

1. Alteração de forma e densidades,
2. Inabilidade de criar prontamente os movimentos voluntários por causa da espasticidade;
3. Inabilidade de controlar os movimentos involuntários da atetose e ataxia;
4. Respiração ruim;
5. Dificuldades de compreensão e comunicação.

Os problemas podem ser posteriormente compostos por desordens da percepção, dificuldade de controle da cabeça, tônus postural pobre e falta de rotação sobre o eixo corporal.

Com o objetivo de obter aumento de amplitude articular, maior equilíbrio muscular, melhora nas fases da marcha, alívio da dor, melhora nas atividades de vida diária do paciente e redução da espasticidade dentro da água facilitando a realização dos exercícios, o grupo propôs a aplicação de padrões de Bad Ragaz de membros inferiores e tronco associado aos efeitos terapêuticos da água.

Os padrões utilizados ao longo das sessões foram : rotação, flexão e extensão do tronco com cargas e repetições progressivas; padrões de membro inferior como extensão – abdução - rotação medial do quadril - extensão do joelho – flexão plantar e eversão do pé; flexão – adução – rotação lateral do quadril – flexão do joelho – dorsiflexão – inversão do pé ; abdução unilateral e bilateral de membros inferiores.

O estado mental (ansiedade e estresse) do paciente influem no tônus muscular do mesmo modo que influem na tensão muscular em indivíduos normais. Por isso é de fundamental importância salientar a necessidade de manter-se relaxado e de controlar a tensão, cabendo ao fisioterapeuta intervir com meios de relaxamento, principalmente na respiração, para que a tensão não desencadeie a atividade muscular desnecessária. O biofeedback consiste num fator importante na eficácia do tratamento, e cabe a ele informar ao paciente sobre o êxito ou fracasso das tentativas de realizar o movimento mais próximo do normal.



3. CONCLUSÃO

A Paralisia Cerebral Espástica causa hipertonicidade, hiperreflexia e persistência anormal dos reflexos neonatais, pernas em tesoura (em adução) posturas anormais dos membros e contraturas, além da dificuldade de deglutição e salivação excessiva. Levando em consideração os efeitos terapêuticos dos exercícios em piscina são principalmente : relaxamento muscular, redução da sensibilidade à dor, redução de espasmos musculares e espasticidade, facilitação da movimentação articular, melhora da musculatura respiratória, aumento da circulação periférica e melhora da moral e confiança do paciente, e acreditando nos princípios físicos da água como auxiliares no processo de tratamento.

Por sua vez, o método Bad Ragaz utilizado em piscina tem como objetivo a redução do tônus muscular, relaxamento, aumento da amplitude articular, reeducação muscular, fortalecimento muscular, restauração de padrões normais de movimento, além de melhora da resistência geral
Objetivos do tratamento utilizando o Método dos Anéis de Bad Ragaz:

* redução do tônus;
* relaxamento;
* aumento da amplitude de movimento (ADM);
* reeducação muscular;
* fortalecimento;
* tração/alongamento espinhal;
* melhoria do alinhamento e estabilidade do tronco;
* preparação das extremidades inferiores para sustentação de peso;
* restauração de padrões normais de movimento das extremidades superiores e inferiores;
* melhoria da resistência geral;
* treinamento da capacidade funcional do corpo como um todo.

Utilizando o Método dos Anéis de Bad Ragaz como auxiliar , o terapeuta fornece estabilidade para o paciente e a posição de suas mãos influencia na movimentação do paciente e na quantidade de trabalho isométrico e isotônico realizado. Pode-se conseguir a irradiação dos músculos mais fortes para os que se encontram mais fracos"

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Deficiente com paralisia cerebral cria software que faz síntese de voz





















Um deficiente com paralisia cerebral criou um software que permite a síntese de voz de uma pessoa que tenha dificuldade em falar. O sistema criado por Paulo Condado ficará instalado no serviço de passaportes do Governo Civil de Faro.
Reportagem de Maria Augusta Casaca sobre o software Easy VoiceTeresa Caeiro questiona-se sobre quantos deficientes foram contratados ao abrigo de um diploma de 2001

Um deficiente com paralisia cerebral, doutorado em electrónica e computação, criou um software especial que permite que um deficiente que tenha dificuldade em se comunicar se possa fazer entender.

Lançado, esta quinta-feira, no Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, o Easy Voice – Atendimento Sem Barreiras vai ficar instalado no serviço de passaportes do Governo Civil de Faro e permitirá a síntese da voz para este tipo de deficientes.

Este sistema criado por Paulo Condado, de 30 anos, e já elogiado em revistas científicas, permitirá também fazer chamadas telefónicas através do Skype.

A governadora civil de Faro espera que haja vontade para este «projecto pioneiro» alargá-lo a outros serviços em todo o país e que «as pessoas abram as portas, corações e mentes porque esta gente precisa de nós».

«É uma infraestrutura extraordinária para que pessoas com este tipo de deficiência e com estes problemas tenham um maior facilidade de contacto com os serviços públicos e espero que naturalmente esta ferramenta seja adoptada», acrescentou Isilda Gomes.

A propósito deste dia, a deputada Teresa Caeiro questionou-se sobre o número de deficientes que foram contratadas pelo Estado, autarquias e empresas ao abrigo de um diploma de 2001 que «prevê uma quota para pessoas com deficiência sempre que sejam abertos concursos».

«Enviámos para todos os ministérios, autarquias do país esta pergunta. Vamos aguardar dentro do tempo regimental para saber. Desconfio que sejam muito poucas e desconfio que nem todas as entidades respondam», acrescentou a parlamentar do CDS-PP.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Portadores de Necesssidades Especiais...

















Paralisia Cerebral e Deficiência Intelectual.
Existem alguns mitos relacionados às pessoas com deficiência, em geral alimentados pela sociedade em virtude da falta de convivência e familiaridade. Um deles é a associação da paralisia cerebral com deficiência intelectual. Uma até pode estar associada à outra, mas isso não é regra, pois são quadros muito distintos.

Há vários tipos de paralisia cerebral, relacionados com a localização e a extensão da lesão no cérebro, mas a lesão necessariamente não chega a atingir o intelecto. Quando a lesão está localizada nas áreas que modificam ou regulam o movimento, a criança apresenta movimentos involuntários, que estão fora de seu controle e permanecem durante a fase de desenvolvimento e na idade adulta.



As Várias Causas da Paralisia Cerebral.
Segundo a Associação de Paralisia Cerebral do Brasil (APCB), a paralisia cerebral se dá pela falta de oxigênio no cérebro durante o nascimento. Algumas doenças ou problemas durante a gestação também podem causar a PC, como, por exemplo, ameaça de aborto, choque direto no abdômen da mãe, incompatibilidade entre o tipo sanguíneo da mãe e do pai, hipertensão arterial durante a gravidez, infecções congênitas como a sífilis, toxoplasmose, herpes, rubéola, consumo de drogas e exposição a radiação ou qualquer outro fator que leve a uma lesão no sistema nervoso central. As causas perinatais estão relacionadas principalmente com complicações durante o parto e a prematuridade.

As principais causas de PC depois do nascimento são febre prolongada e muito alta, desidratação grave, sarampo e traumatismo crânio-encefálico até os três anos de idade, entre outras. Isso se dá pelo fato de até os dois anos de vida o sistema nervoso central não estar totalmente formado. Pode se definir a PC como um distúrbio ou transtorno dos movimentos e da postura, que não regride e não progride, e assim não se caracteriza como doença ou síndrome. Pode trazer dificuldades nos movimentos, na locomoção, audição e visão do bebê. Mas, em 90% dos casos, a inteligência de quem tem PC é preservada.



Diferenças entre Paralisia Cerebral e Deficiência Intelectual.
Segundo o neurologista infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Fernando Kok, uma lesão no sistema nervoso central pode afetar a parte motora ou mental da pessoa e quando esta lesão só atinge a parte motora, denomina-se paralisia cerebral. Quando a lesão compromete a parte mental (cognitivo), resulta em deficiência intelectual. De acordo com a Associação Americana de Deficiência Intelectual e Distúrbio do Desenvolvimento, a pessoa com deficiência intelectual apresenta QI menor que 70, o que necessariamente não faz relação com quem tem PC.



Educação e Escola.
Na questão da educação, muitas vezes quem tem PC não é acometido por nenhuma disfunção cognitiva, mas apresenta limitações físicas, como não conseguir ficar muito tempo sentado e não se comunicar ou escrever da forma convencional. Normalmente são utilizadas ajudas técnicas como cadeira e lápis adaptados, podendo estudar em escola regular.



Prevenção e Diagnóstico.
Existem diversos graus de limitações e não é possível reverter um quadro de PC, uma vez que a lesão do cérebro estará sempre lá, porém, é possível preveni-lo, sendo muito importante que as mães façam o pré-natal durante toda a gestação.

O diagnóstico da paralisia cerebral é feito por análises neurológicas e exames por imagem como ressonância magnética, tomografia e ultra-som. No exame clínico é observado se há sinais de reflexos, com o exame do martelinho, se há atraso na evolução da criança, como sentar, manter o corpo mais firme, andar, etc.

"Ao engravidar, a mulher deve procurar alimentar-se bem, evitar o álcool, o fumo e não tomar remédios sem consultar o médico. Vacinar o bebê e evitar qualquer situação de risco são essenciais", destaca a fisioterapeuta e doutora em Ciências pelo Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da USP, Ana Paula Restiffe.



Sociedade e Pessoas com Paralisia Cerebral.
Por desconhecimento da sociedade em geral, as pessoas que possuem PC têm dificuldades na vida social e profissional. Com relação ao mercado de trabalho, o preconceito em relação ao paralisado cerebral leva ao descrédito sobre suas reais capacidades. No Brasil, onde a crise de emprego atinge parte considerável da população, a paralisia cerebral se apresenta como mais uma barreira para que o individuo consiga uma colocação profissional, e por conseqüência, aceitação na sociedade.



Alguns Paralisados Cerebrais Vencedores.
Muito embora a sociedade manifeste desconhecimento ou preconceito em relação ao paralisado cerebral, existem vários exemplos de pessoas que se destacam com maestria em suas áreas de atuação. São vencedores, sobreviventes da realidade excludente a que são submetidos, desde o nascimento, uns mais outros menos, dependendo da gravidade do quadro.



Ricardo Tadeu Marques da Fonseca.
Um exemplo clássico é o procurador do Ministério Público do Trabalho, Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, que nasceu no sexto mês de gestação e o excesso de oxigenação no cérebro e problemas no parto ocasionaram deficiência visual e paralisia cerebral. Ele é um exemplo de paralisia cerebral leve. Hoje, aos 48 anos, é cego, com PC e um dos mais brilhantes defensores dos direitos das pessoas com deficiência. A paralisia cerebral afetou seus membros superiores e inferiores, mas realizou fisioterapia e várias cirurgias na infância e adolescência, ficando com poucas seqüelas.



Antonio Carlos Viviane.
Um exemplo de pessoa com paralisia cerebral não tão leve é Antonio Carlos Viviani, o Carlinhos, escritor e poeta. Com 31 anos, tem deficiência física nos membros superiores e inferiores. Quando escreve, expressa nas letras seu lado romântico e terno com amplo alcance. Quando fala é pouco entendido, pois a PC lhe deixou sérias seqüelas que prejudicam a comunicação oral. Mesmo assim, sente-se diferente apenas porque utiliza cadeira de rodas para se locomover. Cadeira, aliás, que empurra com o próprio pé de ré, para que ninguém a empurre, pois gosta de enfatizar que é independente.

Para ele, as maiores dificuldades que enfrenta no dia-a-dia são a comunicação, o preconceito e a falta de informação de algumas pessoas. "Dependendo do caso, algumas coisas não consigo fazer, como tirar a barba, porém me alimento sozinho e faço quase tudo", destaca.

No fundo, Carlinhos alimenta o sonho de um dia ser tratado como qualquer um. "Afinal, a gente é igual", afirma. Carlinhos destaca, ainda, que no caso dele, a PC não lhe afetou a mente. "O mais importante é a força de vontade. É preciso ter força de vontade para colocar o dom para fora. Eu escrevo porque gosto! As pessoas começaram a elogiar e saiu o livro. Para vender é difícil, mas eu gosto de escrever", observa.



Sueli Harumi Satow.
Outro exemplo é a comunicadora e filósofa Suely Harumi Satow, 54 anos, com mestrado e doutorado em Psicologia Social, pela PUC de São Paulo. Apesar da titulação, ela destaca que, em geral, os atendentes de lojas e médicos a tratam como se tivesse deficiência intelectual.

Ela atribui seu desenvolvimento ao apoio da família. Seus pais a incentivavam sempre, mesmo nas situações mais difíceis. "Na escola também havia um outro extremo, na classe me consideravam a aluna exemplar por causa das seqüelas, mas na hora do lanche eu ficava com as excluídas (a mais gorda, a mais feia, etc.). Estas circunstâncias levaram-me a um desequilíbrio psíquico muito forte, que quase me colocaram em um hospício", afirma.

Suely gostaria que a sociedade a tratasse como as outras pessoas, vendo-a como ser humano, apesar das diferenças, e não como um ser incapaz com necessidade de tutela. "A sociedade deveria rever sua hipocrisia, fingindo que não é preconceituosa, e olhar profundamente para ela mesma, os indivíduos que a compõem, e se conhecer melhor. Talvez, agindo assim, as diferenças diminuiriam gradativamente", observa.



Felipe Sales.
Também o pequeno Felipe, de quatro anos, é um garoto com PC, mas isso não é sequer imaginado por quem o vê serelepe pelos corredores da Divisão de Medicina de Reabilitação do HC (DMR), onde faz reabilitação e conquista a todos com seu sorriso maroto. Sua mãe, Maria Paula Sales, psicóloga, conta que sua gravidez foi sem intercorrências, calma e normal. O filho apresenta pequena dificuldade motora em membros inferiores e braço esquerdo.

"Ele tem uma rotina normal, como qualquer outra criança, brinca, vai à escola, adora cantar e dançar, enfim, é uma criança muito alegre", destaca a mãe. Com a reabilitação, ela espera que as seqüelas, que não são acentuadas, sejam ainda mais amenizadas e que ele consiga cada vez com mais facilidade realizar as atividades de vida diária. "Espero que ele se realize como pessoa e que a pequena deficiência que ele apresenta não o impeça de fazer o que ele gostar e quiser", afirma